19/10/2025
Quem atua no mercado imobiliário sabe: negociar uma área deveria ser simples — um comprador interessado, um proprietário disposto e um profissional habilitado conduzindo com transparência e técnica.
Mas, cada vez mais, temos visto um cenário diferente: negociações contaminadas por intermediários que não agregam, apenas atravessam.
Surgem figuras que se autointitulam representantes, consultores ou “pontes com o dono”, mas que, na prática, não têm acesso real nem ao comprador, nem ao vendedor.
Muitas vezes, ouviram falar do negócio, pegaram uma ponta da conversa e decidiram se colocar no meio — e é aí que começa o problema.
Essa cadeia de atravessadores cria um verdadeiro telefone sem fio imobiliário, onde cada um interpreta à sua maneira, adiciona sua versão, e o que era para ser um negócio promissor se transforma em confusão, ruído e desconfiança.
O que era para fluir em semanas, se arrasta por meses.
O que era para ser uma oportunidade, acaba virando frustração.
Chamamos isso, no dia a dia, de “corretagem caroneira” — uma prática que mina a credibilidade do mercado e desrespeita o trabalho de quem constrói relacionamentos reais com as partes envolvidas.
Não se trata de fechar o mercado, mas de proteger o que é legítimo: o exercício ético da profissão.
O corretor sério sabe o valor do seu papel — ele não atravessa, ele conduz; não inventa, ele confirma; não cria ruído, ele traduz a necessidade em solução.
É por isso que se faz urgente uma atuação mais firme do CRECI, para que separe o profissional do oportunista, o habilitado do aventureiro, e o ético do especulador de informações.
Porque cada vez que um “caroneiro” interfere em uma negociação, toda a categoria perde.
O mercado imobiliário precisa de menos barulho e mais clareza.
De menos “pontes improvisadas” e mais conexões verdadeiras.
De menos oportunismo e mais profissionalismo.
Afinal, credibilidade é o maior patrimônio que um corretor pode ter — e ela se constrói com verdade, transparência e respeito.